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Automobilismo Região

 José Gomes

O Preparador e o piloto.

José Gomes, “Lourenço”, e Pop Gare fundem-se numa só pessoa, numa só equipa, numa só organização.

    A competição está intrínseca na oficina que prepara muitos carros que disputam a velocidade nacional e onde o seu proprietário, para além de preparador, também disputa provas.

 

 Carlos Costa

  Procuramos o homem forte da “casa”, o José  Gomes, de quem procuramos saber mais.
 

     Praça Local: “Lourenço”, Pop Gare, José Gomes, três nomes que se fundem numa só causa, a competição automóvel, como acontece isso?

 

    José Gomes: Fiz corridas, fiz autocrosse dentro das disponibilidades financeiras que tinha para a altura enquanto simultaneamente ia preparando carros. Estive um tempo arredado da competição e há relativamente pouco tempo recomecei a fazer carros de competição conseguindo em 2004 vencer o Troféu Datsun. Passei ainda pelo Karting quando o Kartódromo de Braga abriu. Estive presente nas provas de resistência, como preparador e piloto e era normalmente o único que nunca dormia, ou estava a correr ou a apoiar os carros que preparava.

 

     PL: Enquanto preparador reactivou  a actividade com os carros do Troféu Datsun mas durante toda a sua vida desportiva tem incentivado alguns jovens pilotos.

 

     JG: É verdade, diria que ajude muitos pilotos, não havia grandes dinheiros e fui fazendo o que podia por eles. Trabalhei com o David Rodrigues, o José Carlos Macedo, o Manuel Monteiro, o António José Carvalho e muitos outros.

 

     PL: Como piloto a história começou noutros tempos mas com o aparecimento do Troféu Datsun voltou à condução desportiva.

 

     JG: Voltei realmente a correr mas apenas nas provas de resistência. O sprint já não é para a minha idade, é mais para malta mais nova que tem aquela fogosidade que em certa medida já me passou. Também com o muito trabalho que tenho não posso estar em todas e acabei por fazer esta opção. Tenho a mecânica do dia a dia, a mecânica de competição e depois o meu bocadinho de piloto.

 

     PL: A “Pop Gare” apoia uma quantidade significativa de carros no Troféu.

 

     JG: Neste momento estamos a apoiar cinco Datsun. Já foram sete mas o número era demasiado para se poder fazer um apoio igual a todos. Os meus cinco estão a andar normalmente nos lugares cimeiros. Um deles é de aluguer e os outros andam com o Araújo, o Queiroga, o Baptista da Silva e o João Braga. Tudo aponta para que em 2006 apareçam mais um ou dois carros.

 

     PL: O que espera do 2006 desportivo o José Gomes?

 

     JG: Espero que seja um pouco melhor que o 2005, ou pelo menos como foi o 2004. Gostava de ter um dos meus pilotos a vencer o Troféu. Pelo que me diz directamente respeito como piloto, vamos lá ver até onde consigo ir no pouco tempo que me vai sobrar.

 

     PL: Tendo em conta que já não está na idade da fogosidade como disse, mesmo assim ainda se sente com força para se ir bater com os “jovens lobos”?

 

    JG: Claro, acho que me posso ainda intrometer entre eles até porque algumas das preocupações da malta mais nova eu já não tenho. A vida estabilizada e os filhos já criados dá-me outro à-vontade para enfrentar a competição.

 

     PL: Nem só de Datsun vive a Pop Gare já que está em preparação na oficina um Ford Escort. A que tipo de competição se vai destinar?

 

     JG: O carro vai ser equipado com um motor “pinto” e está a ser construído para o filho de um amigo meu, o António Venâncio. Penso que o carro será misto, isto é, para o dia a dia e para possivelmente fazer algumas brincadeiras. Fico satisfeito por ver que esta nova geração gosta de ter um carro que fez as minhas delícias em outros tempos

 

    Tenho notado que a rapaziada aparece cada vez mais com tendência para este tipo de carros.

  
Lourenço corta

Lourenço corta, estica e lima as linhas do motor

 

Mecânica de competição com pormenores e subtileza

 

Da assistência em ralis à especialização dos Datsun faz-se a carreira de mais de 30 anos de Lourenço, mecânico de competição. Uma vida dedicada ao pormenor, a combinar peças de motor com paciência e exactidão que escapa aos mecânicos de produção em série; com a paciência que já lhe permitiu construir dois carros de raiz, só com peças de sucata.

 

Lourenço é o pseudónimo de José Gomes, o “nome de guerra” de um mecânico que sempre trabalhou com carros, desde os nove anos e que começou na competição com apenas catorze. Nessa altura era ainda o Lourencinho, nome que pegou porque andava muito com o pai Lourenço e marceneiro. “Uma ascensão muito rápida”, como sublinha, de uma carreira que começou por brincadeira quando uns amigos o convidaram a fazer assistência num rali na Cabreira, não tinha ainda quinze anos.

Os carros não têm segredos para este mecânico especializado e a trabalhar actualmente com a marca Datsun. Alguns segredos de profissão guarda-os, para já, mas promete um dia revelá-los a amigos e concorrentes, quando abandonar, talvez num website.

Mas isso são planos para um futuro mais distante. Por enquanto, Lourenço dedica-se a tirar o máximo partido daquilo que a sua experiência de 36 anos de profissão, aliada às capacidades do motor dos Datsun permite. Aliás, o modelo 1200 da marca é, na sua opinião, “um dos melhores carros feitos até à época”. Tem um motor simples, fácil de retirar e desmontar; “em hora e meia todo peça por peça”, explica. Para Lourenço, o carro só encontra paralelo no Carocha 1200 e, mesmo assim, com vantagens para o Datsun pela simplicidade e rapidez na desmontagem. O que leva mais tempo é depois voltar a montar tudo, principalmente quando se trata de um carro destinado à competição.

Prepara um carro e um motor para a competição é muito mais complicado, porque é preciso trabalhar com o que já existe e encontrar pormenores que tenham ficado esquecidos, cantos em que os mecânicos de origem não tenham mexido. É um trabalho de optimização e que requer, portanto, muita paciência, cálculos e subtileza. Com o conhecimento adquirido em 36 anos de carreira, Lourenço explica que “os fabricantes fazem um motor restrito para o carro, para poder funcionar nas melhores condições, dura o máximo de quilómetros”. “Na competição um tipo vai buscar e aplicar, cantos em que os fabricantes não actuam tanto, porque não têm cuidado, não têm tempo, nem têm necessidade”, remata. E se o trabalho já seria complicado só por si, na competição há ainda que ter em conta as regras, que não permitem grandes alterações. Os profissionais “andam a limar arestas” para garantir mais rotação e velocidade de ponta, pelo que requer muito esforço e dedicação “manter estes carros na frente”.

 A dedicação de Lourenço e a sua paciência ficaram comprovadas quando, ainda em início de carreira construiu, de raiz, dois carros só com peças de sucata. Na altura, nos anos 70, fez os carros para dois pilotos que não tinham condições financeiras para adquirir peças de origem. Assim, transformou peças de outros carros num Escort RS 2000 e num Chevette, preparados para competição.

Após uma pausa de dez anos na actividade ligada à competição, Lourenço regressou exclusivamente ligados aos Datsun, na sua opinião o carro com a mecânica menos dispendiosa. Como ele mesmo refere, “são carros já com trinta anos e que se forem bem tratados podem durar outros tantos”. O único problema é a marca já não existir e haver algumas dificuldades de acesso às peças. Por enquanto, vai arranjando as peças de que necessita na Nissan, o nome actual da antiga marca Datsun, ou então na concorrência. Isto porque acredita que “se houver material, daqui a 100 anos estes carros continuam espectaculares”. Para os mais curiosos, Lourenço, ou melhor, José Gomes, promete: “Um dia, se eu me desligar dos Datsun, terei todo o gosto em fazer um site na Internet sobre o motor dos Datsun onde explique os meus truques: onde eu corto, onde estico, onde lixo e acerto e terei todo o prazer em mostrar aos meus amigos e concorrentes o porquê de os meus carros andarem muito”.

  
 
 
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